Outro dia deparei-me, quando de visitas em casa, com uma situação que despertou meu pensar reflexivo: a visita (diga-se de passagem, formada em direito), que está à espera da aprovação em concursos públicos, declarou que, caso fosse chamado a delegado no norte do Brasil (lembremos de um dos ouros da região, a madeira), faria vista grossa às atividades extrativistas ilegais, a fim de evitar atritos com empreiteiros que as praticam e, dessa forma, viver sem transtornos com sua família.
Será que ele conhece a palavra ética? Nós sabemos o que é ética? Você! Já parou para pensar sobre ética ou apenas faz parte do nada modesto grupo daqueles que utilizam o léxico sem saber seu significado? O filósofo espanhol Sanchez Vasquez expressou: "Ética é a ciência ou estudo do comportamento moral do homem em sociedade". Ademais, diria que não se trata apenas da distinção de certo ou errado. Se assim o fosse, a linha que separa ética e moral não existiria. Trata-se de um conceito mais profundo e generalizante das relações humanas, identifica com as atitudes que beneficiam quem as toma e quem é afetado.
O que isso tem a ver com a tal visita? Bom, as profissões existem por uma necessidade social de manter o equilíbrio em determinado quesito. O professor é o que é porque precisamos perpetuar conhecimentos. Imaginemos agora uma colméia; o que aconteceria se as operárias se recusassem a exercer seu ofício? Com certeza aquela se findaria facilmente, cada uma das operárias da comunidade também morrerá, as larvas das quais elas deviam cuidar não resistiriam e feneceriam. Essa população não se perpetuaria e seria sobreposta por outra em que as regras fossem obedecidas.
Vale frisar que a crítica aqui não cabe aos fins almejados pela visita e sim aos meios. Suponhamos que ela consiga o tal cargo. As empreiteiras teriam "passe livre" para atuar. A floresta amazônica seria mais e mais degradada. Acelerar-se-ia sua desertificação e perderíamos, quem sabe, importantes espécies com propriedades farmacêuticas. Talvez tenha sido um exemplo catastrófico, mas é lícito que se perceba que um "furo" no sistema abre muitas portas para um pandemônio.
A partir disso, por que não procurar uma profissão que lhe dê motivação, estímulo intelectual e satisfação? Deixemos um pouco de lado nossa mentalidade mercenária, gananciosa e ultra-capitalista. Somos o antivírus do país, é nosso dever garantir espaço limpo aos próximos arquivos.
2 comentários:
Trata-se de comodismo, uma constante no povo brasileiro. Age-se e pensa-se de modo politicamente incorreto. As pessoas buscam um 'trabalho' que lhes renda fortuna e não lhes custe esforço - de qualquer natureza. O que falar então do velho hábito de 'empurrar com a barriga'? 'Ah, a gente dá um jeitinho aí', 'depois a gente resolve'. Falta uma virtude essencial para que se passe a praticar a ética: disciplina.
Meu modesto pensamento só me permite citar Rui Barbosa:
“A injustiça desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza sob todas as formas.”
Muito bom o blog. Jovens escritores, AVANTE!
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