~ Longe da "Zona de Conforto"

terça-feira, 26 de maio de 2009

Os momentos felizes estão nas coisas mínimas do nosso dia-a-dia, seja num abraço, num sorriso, nas páginas de um livro, numa música, num jogo de truco. Outro dia, encontrei numa revista uma reportagem que criticava a procura excessiva pela felicidade através dos antidepressivos, cuja atuação seria conter o mau-humor, a timidez, o estresse. As pessoas passavam os dias ‘de bem com a vida’. Nesse caso, a letra de Tom Jobim: tristeza não tem fim felicidade sim, já não faria mais sentido. Pensando bem, se não houver tristeza, não há felicidade. Na verdade, a tristeza está na felicidade, assim como a feiúra está na beleza, a pobreza está na riqueza, a corrupção está na justiça. Conclusão: tudo que é não é!
A mesma reportagem abordava a importância da tristeza, do pessimismo, da dor. Homens grandiosos tiveram suas vidas marcadas por angústia, pessimismo, sofrimento, tais como: Fernando Pessoa, Van Gogh, Nietzsche, Álvares de Azevedo (em nome dos poetas de seu tempo), Santos Dumont, Cazuza.. É como se houvesse uma ligação entre sofrimento e criação. A ‘zona de conforto’ a que estamos suscetíveis é fatal. Se não houver uma insatisfação, não nos sentimos estimulados a progredir, e chegamos a um estágio de completa acomodação.
Os obstáculos, os momentos difíceis ou nos deixam neuróticos, ou nos fazem crescer. Aprendemos a nos conhecer melhor, a dar mais valor à vida, aos amigos, à família, ao trabalho, ao estudo, à namorada(o), à saúde. O mundo está como está hoje por conta da insatisfação, da preocupação, da ambição, do medo que nortearam nossos ancestrais. Se estivéssemos sempre felizes e satisfeitos, não cresceríamos, não mudaríamos.
É, vivemos num mundo em que, como disse Andrew Grove, só os paranóicos sobrevivem.

~ Trote: Um Rito de Passagem

domingo, 24 de maio de 2009

Angústia de 99,9% dos recém-ingressos nas universidades, o trote proposto imposto pelos veteranos para os calouros é mais que uma zombaria como sugere o tal Aurélio. O trote é uma pluraridade de significações, em geral, simbólicas/subliminares. Primeiramente, é um tapa na cara dos bixos - com X, pois o calouro deve ser humilhado a ponto de nem mesmo merecer que a palavra bicho seja grafada corretamente - a fim de evidenciar-se a hierarquia vigente. Além (e apesar) disso, é também um desejo de boas vindas à nova vida, afinal, só recebe o tratamento devido quem fez por merecer. É nesse argumento em que se encontra o conceito de rito de passagem: aquele procedimento determina que a partir dali, o jovem deixa de ser apenas mais um secundarista à toa dependente de pais, professores, coordenadores e afins para se tornar um cidadão do mundo, com autonomia suficiente para traçar metas, alcançar objetivos e responder pelos seus atos. A verdade é que o trote não deve ser visto como uma penalização - inclusive porque não há motivo aparente para isso -, mas sim um momento de confraternização entre os pares, apesar dos pesares. Acredite, a máxima 'ruim com, pior sem' é totalmente aplicável a essa situação, pois, como diria o publicitário de um famoso conglomerado: 'é mais uma história pra contar pros seus netinhos'.

~ Desequilíbrio

domingo, 17 de maio de 2009


Outro dia deparei-me, quando de visitas em casa, com uma situação que despertou meu pensar reflexivo: a visita (diga-se de passagem, formada em direito), que está à espera da aprovação em concursos públicos, declarou que, caso fosse chamado a delegado no norte do Brasil (lembremos de um dos ouros da região, a madeira), faria vista grossa às atividades extrativistas ilegais, a fim de evitar atritos com empreiteiros que as praticam e, dessa forma, viver sem transtornos com sua família.


Será que ele conhece a palavra ética? Nós sabemos o que é ética? Você! Já parou para pensar sobre ética ou apenas faz parte do nada modesto grupo daqueles que utilizam o léxico sem saber seu significado? O filósofo espanhol Sanchez Vasquez expressou: "Ética é a ciência ou estudo do comportamento moral do homem em sociedade". Ademais, diria que não se trata apenas da distinção de certo ou errado. Se assim o fosse, a linha que separa ética e moral não existiria. Trata-se de um conceito mais profundo e generalizante das relações humanas, identifica com as atitudes que beneficiam quem as toma e quem é afetado.


O que isso tem a ver com a tal visita? Bom, as profissões existem por uma necessidade social de manter o equilíbrio em determinado quesito. O professor é o que é porque precisamos perpetuar conhecimentos. Imaginemos agora uma colméia; o que aconteceria se as operárias se recusassem a exercer seu ofício? Com certeza aquela se findaria facilmente, cada uma das operárias da comunidade também morrerá, as larvas das quais elas deviam cuidar não resistiriam e feneceriam. Essa população não se perpetuaria e seria sobreposta por outra em que as regras fossem obedecidas.


Vale frisar que a crítica aqui não cabe aos fins almejados pela visita e sim aos meios. Suponhamos que ela consiga o tal cargo. As empreiteiras teriam "passe livre" para atuar. A floresta amazônica seria mais e mais degradada. Acelerar-se-ia sua desertificação e perderíamos, quem sabe, importantes espécies com propriedades farmacêuticas. Talvez tenha sido um exemplo catastrófico, mas é lícito que se perceba que um "furo" no sistema abre muitas portas para um pandemônio.


A partir disso, por que não procurar uma profissão que lhe dê motivação, estímulo intelectual e satisfação? Deixemos um pouco de lado nossa mentalidade mercenária, gananciosa e ultra-capitalista. Somos o antivírus do país, é nosso dever garantir espaço limpo aos próximos arquivos.

~ Escolher representantes: ponto chave para a democracia

domingo, 10 de maio de 2009

No mês passado, houve a escolha do novo reitor da Unicamp. Diga-se, de passagem, que não se tratou de uma escolha e, sim, de um processo nada democrático, acelerado e meramente consultivo.

Primeiro que o processo de consulta logo no começo do ano é algo um tanto desrespeitoso com nós, calouros, uma vez que não há tempo para nos inteirarmos dos problemas de nossa universidade. Nós teríamos, ainda, que participar do processo sem saber quais forças estão em jogo, tanto pelo fato do pouco tempo reservado às campanhas, quanto por conta de nossa despolitização!

De uma forma absurda, a escolha final do reitor coube ao governador José Serra! Por mais complicado que seja, caso o governador não quisesse que o novo reitor (escolhido por maioria dos votos em escrutínio) assumisse, ele tinha total poder para vetar a posse. Como assim?! Nós ainda estamos em um período em que se pode proceder como a ‘Comissão Verificadora dos Poderes’, cuja função era eleger apenas aquele que agradasse ao candidato da situação?

Quanto à campanha, uma candidata realizou-a toda repleta de flores e ilustrada absurdamente com a cor rosa, numa tentativa apelativa de conclamar as mulheres para alcançar o cargo (como os negros em campanhas estadunidenses, os corinthianos em campanhas em SP, os crentes em campanhas nacionais, ou mesmo os homossexuais em campanhas para ganhar o BBB). Para mim, essa campanha serviu apenas para reafirmar o estereótipo preconceituoso da mulher, reproduzindo a ideia de sexo frágil e sensível, indo de encontro à luta pelo fim das opressões de que são vítimas!

Por fim, queremos eleições diretas e paritárias e que sejam, sobretudo, respaldadas em propostas decentes aos estudantes e não em classes específicas, buscando apenas uma auto-promoção.

~ Ocupemos a universalidade

sábado, 9 de maio de 2009


Nos dias 05 e 06 deste mês, ocorreram na Universidade de Brasília, as eleições para o DCE (Diretório Central dos Estudantes), oportunidade única, na qual pudemos fazer jus ao lema proposto pelo novo reitor: "Ocupe a UnB!".
Antes mesmo de começar o semestre o reitor lançou o novo lema que nos convidava a ocupar todos os espaços físicos e ideológicos da universidade. Não nos garantiu quaisquer mudanças astronômicas, apenas reforçou a ideia de admnistração transparente e aliada ao estudante. É nessa hora que surge a atuação do DCE, cuja essência é a manutenção e efetivação dos direitos que nos são garantidos, cobrando os mesmos da reitoria e administradores.
Ano passado, o DCE da UnB conseguiu um feito memorável trazendo de volta a vitalidade do movimento estudantil ao denunciar e derrubar do poder uma admnistração corrupta. E mais importante que isso, mostrando aos estudantes que nós temos, sim, autoridade e capacidade para denunciar o errado e escolher o que é melhor para nós.
Contudo, tal feito não pode ser considerado apenas como algo que foi histórico e marcou os últimos tempos dos movimentos acadêmicos. E é por essa vertente que eu sigo. Acredito que escolher novos representantes é de fundamental importância, assim como procurar saber o porquê de suas ações, onde ocorrem e contra o que estão sendo promovidas.
Não é suficiente e nem condizente com nossa situação de usuários do patrimônio público apenas frequentar as aulas e socializar com os colegas de curso. Dessa forma, eu, uma vez cansado de estar exercendo uma postura parecida com isso e, de certa forma ignorante, resolvi não ser apenas um coadjuvante, fui atrás de mais informações sobre o que ocorre na universidade, suas deficiências - que nem de longe são poucas - e o que se pode fazer para melhorá-la e participar mais ativamente.
Conversando com uma pessoa de uma das chapas me senti mais dentro ainda da faculdade, porque pude conhecer e analisar melhor, embora superficialmente, o universo no qual estou entrando.
Vi que a UnB é bastante discriminatória e deficiente. Isso está camuflado no respaldo de uma das melhores universidades públicas do país. Enquanto isso há cursos que estão sem professores, campi com número insuficiente de salas, má disponibilidade de transporte coletivo, visto que há áreas da universidade que não são servidas de ônibus, além de outras inúmeras falhas. E aí então surge a pergunta: como ocupar democraticamente a UnB?
Por isso é muito relevante e saudável que se saiba o que ocorre nos diversos âmbitos da universidade; exercer os seus direitos sem estar amarrado a preconceitos. Então, percebi que não há nada como ver o mundo com visão periférica ao invés de se reter ao que passa na sua frente. Ocupemos conscientemente a universalidade!

~ Greve

segunda-feira, 4 de maio de 2009

No dia de hoje, houve uma paralisação por parte dos motoristas e cobradores de ônibus de Fortaleza. Na verdade foram duas: uma entre 8 e 9 horas da manhã e outra das 4 às 5 da tarde. Em tempo: é assustadoramente louvável a consciência desta categoria ao optar por horários alternativos aos de pico, afinal trata-se de uma metrópole com quase 2,5 milhões de habitantes, sendo usuários do transporte coletivo quase 45% desse total. Ainda que a atitude que funcionou como uma espécie de alarme não tivesse sido previamente divulgada - o que conturbou a vida de trabalhadores e estudantes - é de se elogiar que ela tenha aparecido antes de uma medida mais drástica como uma paralisação geral por tempo indeterminado (prometida para a próxima sexta-feira, caso nada seja acordado com a prefeitura sobre o aumento do vale-refeição de R$3,00 para R$5,00 reais e o reajuste salarial de 12%). Por fim, deixo uma pergunta: é correto estabelecer um estado de greve em determinadas profissões como a dos motoristas e cobradores do ônibus, médicos plantonistas, consideradas de significativa importância já que um grande contigente populacional depende desses serviços ou todos têm o mesmo direito de rebelar-se contra as circunstâncias de seu emprego, se elas não forem do agrado da classe?